Análise do Inpe revela que 79,1% dos incêndios estão em propriedades privadas
O Amazonas enfrenta uma onda de incêndios que, entre 1º e 15 de outubro, registrou 1.639 focos de calor, dos quais 79,1% estão localizados em imóveis rurais privados, conforme dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
A situação se agravou especialmente após o primeiro turno das eleições, realizado em 4 de outubro, quando os focos de incêndio aumentaram significativamente na região. A análise do Inpe revela que a maior parte do fogo é provocada pela ação humana, desafiando a proibição do uso do fogo no estado desde 9 de setembro.
Dados apontam que o Amazonas vive uma grave crise com incêndios, que não apenas afetam a vegetação nativa, mas também áreas já desmatadas. Cerca de 52,8% dos focos estão em locais onde houve desmatamento nos últimos três anos, enquanto 15,9% atingem vegetação nativa. O clima seco, agravado pelo fenômeno El Niño, potencializa os danos, tornando o combate às chamas ainda mais difícil.
De acordo com o presidente do Ibama, Jair Schmitt, existe a suspeita de que criminosos estão aproveitando o cenário político atual para aumentar o uso do fogo de forma ilegal. 'As ações em campo mostram um sentimento de impunidade, principalmente durante o período eleitoral', disse Schmitt.

Além disso, o Ibama tem intensificado suas operações e já impôs multas de R$ 2 milhões em ações de combate a incêndios, refletindo a gravidade da situação. O órgão já autuou diversas pessoas por começarem incêndios sem autorização, enquanto a Polícia Federal e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) investigam as causas desses incêndios.
Um estudo da plataforma TerraBrasilis, do Inpe, revela que, apesar de uma queda no índice de desmatamento, os incêndios se concentram em áreas já devastadas. Isso sugere que, mesmo com políticas de preservação, a prática do fogo continua perigosa e descontrolada na região.
As investigações estão em andamento e podem revelar ainda mais sobre o uso criminoso do fogo e sua relação com o aumento de focos de incêndio após o 1º turno das eleições, adaptando-se ao atual contexto político. No entanto, é evidente que tanto o desmatamento quanto os incêndios seguem sendo desafios persistentes e complexos para o Amazonas.
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